Bateu aquela preguiça de ir para o escritório na segunda-feira? A falta de tempo virou uma constante? A rotina está tirando o prazer no dia a dia? Anda em dúvida sobre qual é o real objetivo de sua vida?

O filósofo e escritor Mario Sergio Cortella aborda questões como a importância de ter uma vida com propósito, a motivação em tempos difíceis, os valores e a lealdade – a si e ao seu emprego. O livro é um verdadeiro manual para todo mundo que tem uma carreira mas vive se questionando sobre o presente e o futuro.

O livro, lançado em 2016, rapidamente alcançou as listas de livros mais vendidos. E você, já parou para pensar: Por que fazemos o que fazemos?


Qual o seu propósito?

“Qual o propósito que coloco adiante de mim? A palavra  “propósito”, em latim, carrega o significado de “aquilo que eu coloco adiante”. O que estou buscando. Uma vida com propósito é aquela em que eu entenda as razões pelas quais faço o que faço e pelas quais claramente deixo de fazer o que não faço.” (pg 12)

“Quem começa o dia de trabalho com um nível de tristeza precisa reinventar as razões pelas quais faz aquilo que faz. Isto é, qual é o seu propósito?
Se esse for tão somente ganhar dinheiro, então, não sofra. É para isso. Pronto. Se for realizar-se, ter uma percepção autoral, obter reconhecimento, então esse ó lugar ou ofício errado.” (pg 31) 


Você, robô?

“Potencializamos nossas capacidade quando nos dividimos para fazer tarefas diferentes, de maneira a não termos de fazer a mesma coisa.” (pg 21-22)

“O trabalho feito de modo robótico é algo que, durante o século XX, foi decisivo para a alteração do mecanismo de produção. O taylorismo ou fordismo, em grande medida, acabou gerando a perda da inovação, da criatividade, o que num mundo tecnológico, é uma coisa negativa.
Por isso, se o próprio individuo fizer as coisas de modo automático, robótico, isso levará a um processo de alienação, isto é, de perda de si mesmo.” (pgs 25-26)


Rotina sim, monotonia não!

“Muita gente se queixa da rotina do trabalho. Vale lembrar que rotina não é sinônimo de monotonia. O que faz com que haja um enfado em relação ao cotidiano profissional é a monotonia, não a rotina.” (pg 39)

A rotina pode ser, inclusive, altamente libertadora. É ela que permite a organização de uma atividade e, portanto, a utilização inteligente do tempo. A rotina garante maior eficiência e segurança naquilo que se faz. (pg 39)

O trabalho rotineiro é um trabalho organizado, estruturado. O que, de fato, faz com que haja um enfado, um tédio, é a monotonia. O perigo é quando a rotina deixa de ser algo que me prepara melhor para aquilo que estou fazendo e passa a ser algo no qual eu não presto mais atenção. Isto é, quando a receptibilidade se torna automatismo.” (pgs 39-40) 

A finalidade da tecnologia e da robotização é exatamente libertar a gente desse trabalho monótono (pg41)


Quero ser autor da minha própria obra

“Cada vez mais desejamos o autoral. A percepção da autoria é necessária para que a pessoa se construa como um indivíduo que não é descartável, que não é inútil e que não pode ser colocado à margem.” (pg 46)

“Um sinal muito forte (…)  foi a febre dos livros para colorir durante o ano de 2015. Foi um fenômeno editorial. (…) Preencher com as cores (…) é muito pouco autoral. Ainda assim, é uma manifestação de um desejo imenso de fazer alguma coisa, de não consumir tudo já pronto.” (pés 46-47)

O meu curso de vida, meu curriculum vitae, fez com que eu construísse a mim mesmo. Uma parte foi planejada, outra circunstancial.” (pg 52)

O trabalho também me molda. O magnífico artista Michelangelo expressou bem isso ao dizer: “Todo pintor pinta a si mesmo”. (pg 54)


Para ter um resultado que goste, nem sempre fará só o que gosta

“Mas quando alguém diz “Ah, eu quero fazer só o que gosto na vida“, lamento, isso é impossível. (…) Gosto de dar aula, mas não aprecio corrigir provas. Quem gosta de ler cinquenta redações sobre o mesmo tema? (…) Mas eu não posso não corrigir, porque, se deixar de fazer isso, não terei visão de como os alunos estão aprendendo e de como estou ensinando.” (pg 83)

Que atleta gosta de todos os dias de manhã seguir uma rotina de exercícios para praticar um esporte? É claro que ele gosta do jogo, da emoção da disputa, mas aquilo que está na estrutura, que cria as condições para ele competir, não é agradável.” (pg 84)

“…um caso que costumo contar é o do exímio pianista Arthur Moreira Lima. Após um concurso magnífico, um jovem foi até ele e falou: “Gostei demais do concerto, eu daria a vida para tocar piano como o senhor”. E ele, de pronto, respondeu: “Eu dei. Foram quarenta anos de dedicação, de nove a dez horas diárias de esforço.
Cautela com a expressão “eu só quero fazer o que gosto”. Para ter o resultado que eu gosto, nem sempre faço o que eu quero.” (pg 86)

É animador ter a capacidade de concluir uma obra, mas ela exige esforço. Essa ideia de esforço não necessariamente é aquilo que nos compensa mais.” (pg 87)


Prioridade é uma palavra sem plural

“Os caminhos que tomamos são fruto de escolhas. Vale lembrar que prioridade é uma palavra sem plural. Se você põe um “s”, deixa de ser prioridade. (…) A prioridade requer exclusividade. (pg 115)


Futuro: procrastinação do presente

” “Um dia, quando tiver tempo, vou fazer aquilo de que gosto.” Assim que tiver melhores condições, vou me dedicar ao meu sonho.” “O meu plano, quando me aposentar, é finalmente fazer aquilo que me dá prazer.” (…) Esse projeto está invariavelmente num futuro.” (pg 119)

A procrastinação contínua é um distúrbio. (…) É o campo do desejo não realizado, numa perspectiva platônica, seja o desejo platônico entendido como aquele em que a pessoa se contenta com a representação” (pg 121)

Quem projeta “eu vou ser um pintor”, com certeza não fica se imaginando desesperado, tendo de vender quadro, disputando mercado em galerias ou passando a noite inteira com crise de criação. Normalmente se imagina com a galeria lotada, recebendo homenagens, e tendo suas obras expostas em uma bienal. (…) O problema é que muitas vezes se esquece que para chegar a esse patamar há todo um processo desgastante, de uso do tempo e da vida, de esforço muito grande. E, frequentemente, sai do campo do sonho e migra para o campo do delírio.” (pg 121)

Enquanto aguardamos aquilo que virá, não podemos deixar de viver aquilo que pode ser vivido agora. Não faz sentido ficar somente na espera.” (pg 124)


mario sergio cortella

Mário Sérgio Cortella é filósofo, escritor, com mestrado e doutorado em educação e professor-titular da PUC-SP, com docência e pesquisa na Pós-Graduação em Educação. Foi Secretário Municipal de Educação de São Paulo (1991-1992). Comentarista da Rádio CBN e Escola da Vida.

É autor de mais de vinte livros, entre eles: Qual é a tua obra?, Não espere pelo epitáfio, Não nascemos prontos, Viver em paz para morrer em paz, e da série Pensar bem nos faz bem!.


Ficha técnica: Por que fazemos o que fazemos?

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  • Título original: Por que fazemos o que fazemos?
  • Autor: Mário Sergio Cortella
  • Editora: Planeta
  • Páginas: 176
  • 1a. Edição – 2016
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