A Sorte Segue a Coragem! Novo livro de Mario Sergio Cortella
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O nova obra do professor e filósofo Mario Sergio Cortella, A Sorte Segue a Coragem!,  propõe que não podemos atribuir o sucesso ou o fracasso a forças externas.

a sorte segue a coragem

Cortella nos faz refletir que a percepção da sorte se aproxima, muitas vezes, de uma bênção, de um fator externo místico ou mágico. Seria uma crença para justificarmos a existência ou ausência de sucesso?

Todo mundo já usou ou ouviu algumas dessas justificativas para o insucesso: “Eu tento, tento e não funciona”; “não tenho sorte”; “não dou pro negócio”; “por mais que eu ande, não saio do lugar”; “não fico fazendo marketing pessoal”. Seria realmente falta de sorte?

Em A sorte segue a coragem! Oportunidades, competência e tempos de vida, Cortella discute comportamentos comuns a todos e aponta caminhos para que cada um cultive a própria sorte.

Em vinte capítulos, o autor de Por que fazemos o que fazemos? – que figurou na lista de livros mais vendidos em 2017, aborda:

Êxitos e fracassos: será o destino?
O destino me persegue?
A ocasião faz o padrão…
A pessoa certa no lugar certo, na hora certa
Coragem não é impulsividade!
Sorte, iniciativa e ética
A hora é agora!
Casualidades oportunas…
E quando a hora não é agora?
Planejar, escolher, abdicar
Tecnologia, ocupação e tédio ausente
Estoque de conhecimento, partilha e humildade
Pensar sobre mim, pensar minhas razões
Tempo: aproveitar para não perder!
Tempo livre, competência e inventividade
O tempo passa mais depressa?
Gerações, convivência e oportunidade recíproca
O tempo passa; e nós?
Decrepitudes, senilidades, vitalidades!
Finitudes infinitas, infinitudes finitas

Compartilhamos alguns ensinamentos do livro A Sorte Segue a Coragem!, para incentivar sua leitura completa e reflexão das provocações filosóficas de Cortella.


Falta de sorte ou de coragem?

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A palavra “sorte” funciona muitas vezes como justificativa para o próprio fracasso, bem como para o sucesso alheio. Aos poucos vamos construindo rituais para nos trazer sorte e adotamos símbolos para compor o nosso dia-a-dia.

É comum ouvirmos frases como “Aconteceu tanta coisa ruim no começo do ano que pelo menos estou protegido até dezembro.” Como se houvesse uma cota de bênçãos e de maldições. E essas crenças contribuem para que ideias como “sorte no jogo, azar no amor” se perpetuem.” (p. 19)

Se o destino ou, de outro modo, o acaso nos atinge, imaginamos que dá para controlá-lo com rituais irracionais, mas que nos oferecem alivio e diminuem nossa angústia.

Ainda que o apelo à força [ex: crenças religiosas, místicas] não demonstre eficácia, nós não o abandonamos, por temor de desagradar ao que desconhecemos, que parece nos auxiliar ou prejudicar.” (p. 25)

Há um cabedal de justificativas para o insucesso: “eu tento, tento e não funciona”, “eu não tenho sorte”, “por mais que ande, eu não saio do lugar”, “não dou pro negócio”(..)
Falta de sorte ou de coragem?” (p. 30)





Sorte: quando a preparação encontra a oportunidade

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Podemos ter sucesso em uma situação em que a sorte tem um papel fundamental? Sim, é claro, mas ela sozinha não seria suficiente.

O Professor Dr. Lair Ribeiro defende que “a sorte é quando a preparação encontra a oportunidade”.

Para Cortella, de nada adianta a sorte aparecer se não tivermos o movimento, a inclinação, a orientação de seguir em sua direção. De nada adianta a circunstância positiva aparecer se não estivermos preparados.

A ocasião faz o ladrão? De maneira alguma, a ocasião apenas o revela.” (p. 61)

No entanto, há situações em que se aproveitar a ocasião é ser indecente, antiético (ex: alguns políticos que praticam a corrupção). Não são esses os casos aos quais Cortella se refere na obra A Sorte Segue a Coragem.

É relativamente comum ouvir o comentário: “Aquela pessoa tem uma sorte danada. Olha como as coisas dão certo para ela”. Não necessariamente. Em muitos casos, o que a pessoa tem é coragem de buscar, de fazer, de estudar, de se organizar, de se preparar.“(p. 41)

Cortella propõe que a sorte segue a coragem, desde que a coragem seja competente. O filósofo alerta que em sua proposta a coragem não se trata de impulsividade, mas que a força da coragem está na audácia.

Há uma diferença entre ser audacioso e ser aventureiro. A pessoa que tem audácia é aquela que avalia, estuda, analisa e vai. (…) Uma das coisas mais perigosas é a coragem mal preparada, porque aí não é coragem, é leviandade.” (p. 49)

Conheça também: O Poder do Subconsciente.


A coragem e a probabilidade de sucesso

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Filme La La Land (Foto: Divulgação)

No que se refere à oportunidade, o acaso também tem o seu lugar. Existe uma maior probabilidade de a oportunidade aparecer quando alguém vai atrás dela. No filme La La Land, a protagonista não se tornaria atriz de Hollywood se continuasse sentada na sua cidadezinha em Nevada aguardando uma chance.” (p. 72)

Cortella defende que muitas pessoas dizem, de cara, que algo é muito difícil, que não é possível de ser realizado. Alguns dizem isso por comodidade ou por hábito, mas outros descartam algo a partir de vivência refletida e, com isso, deixam de gastar tempo e energia com o que é inviável.

É precisa coragem de correr atrás, passar pelos desafios, ajuda a alcançar “a sorte”.

La La Land teve a sorte de ganhar o Oscar em 2017? Ou o trabalho de roteiro, produção e esforços da equipe trouxeram o resultado? 

E por falar em Oscar, sabia que vários indicados a estatueta em 2018 são inspirados em livros?


A experiência aumenta nossa capacidade de ver as oportunidades

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O bom surfista se caracteriza por identificar o melhor momento de entrar na onda. Se ele passar um pouco do ponto ou perder o tempo da remada, não a aproveita. Se ele entrar antecipadamente, pode ser engolido. Essa perícia vem, acima de tudo, de treino, só o tempo e a prática irão aprimorar essa leitura que antecipa cenários.

Quando a onda se forma ao longe, o surfista já percebe o movimento que ela vem fazendo, observa as nuances e se prepara para aproveitar o fluxo e realizar as manobras.” (p. 86-87)

Podemos fazer um paralelo da reflexão de Cortella com a nossa a carreira, com as nossas escolhas. A visão antecipada, criada a partir da vivência, da experiência, permite uma melhor avaliação das condições que nos cercam e nos sinalizam o próximo passo. Dessa forma, a experiência aumenta a chance de sucesso, de alcançar a sorte.

“A capacidade de observar os fenômenos à nossa volta e a interligação entre eles é que permite a visualização da oportunidade.” (p. 88)


Juntando as pedras do seu caminho para fazer seu castelo

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Château de Chambord, França (Foto: Divulgação)

Junto as pedras do meu caminho para fazer o meu castelo”. De fato, há quem faça isso. Mas para juntar as pedras do caminho e edificar seu castelo, é necessário notá-las.” (p. 140)

Vivemos hoje em um mundo onde há pouca foco, pouca atenção focada. Vivemos no meio de muitas distrações. Atualmente nos falta um maior tempo para olharmos para dentro de nós mesmos, para nos dedicarmos à reflexão, à meditação.

A ideia de ficar desocupado é quase insuportável para algumas pessoas. Elas vão se soterrando de tarefas, de incumbências. A vida vai sendo pautada por metas, objetivos, prazos, e são essas obrigações em sucessão que vão estabelecendo as marcas do tempo.” (p. 132)

Promover pausas e buscar contato com coisas inéditas ajuda a desenvolver um ambiente mais propício ao pensamento inovador.

“Se houvesse um aplicativo de localização na historia infantil de João e Maria, eles jamais se perderiam na floresta. Mas também, nunca iriam notá-la” (p. 159)

No livro a Inteligência Visual, a autora nos ensina lições para aumentar nossa capacidade de percepção, de ver o que estar ao nosso redor.


O impacto do excesso de informação

Em A Sorte Segue a Coragem!, Cortella nos faz refletir como o aprendizado com a vida ficou mais difícil nos tempos atuais. Hoje as coisas acontecem de forma tão veloz que temos muitas vezes a informação, mas não necessariamente o aprendizado.

A celeridade e a densidade de eventos quase não nos permitem tempo para observar o inédito, até porque tem muito inédito em sequência.” (p. 161)

Há pessoas que passam horas e horas na frente da televisão vendo noticiários alarmantes, com notícias sobre as quais não tem como interferir. Elas não têm o que fazer com aquilo, apenas vão se enchendo de informações.

Cabe a nós colocarmos limites, filtramos as informações para termos foco e tempo de nos voltar para nós mesmos.

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Eu considero que um dos fatores que estão revigorando o livro na plataforma papel não é uma onda saudosista, mas é algo de natureza similar ao que nos leva a fazer pizza em forno a lenha. É a possibilidade de dar elasticidade ao tempo, em vez de comprimi-lo.” (p. 161).





Considerações finais do livro A Sorte Segue a Coragem!

Deixar de viver é deixar de cultivar a esperança, a amorosidade, a tolerância, a dignidade. É morrer em vida. Viver em paz é viver com a certeza de que não se está desperdiçando a existência.

Nós não somos imortais, mas podemos ser eternos. Porque a mortalidade é um fato para todo ser vivo. A eternidade você garante na sua trajetória, naquilo que realiza, na relevância dos atos que pratica, naquilo que é o seu legado, a sua herança.

Só existe um jeito de ficar: é ficar nos outros. Ficar marcado em outras pessoas. É nisso que a gente ganha importância.” (p. 188-189)

Recomendamos a leitura completa da obra, que deve se tornar em breve o novo best-seller de Mario Sergio Cortella.


O autor do livro A Sorte Segue a Coragem! – Mario Sergio Cortella

Mario sergio cortella
Foto: Divulgação

Mario Sergio Cortella é filósofo, escritor, com mestrado e doutorado em educação e professor-titular da PUC-SP, com docência e pesquisa na Pós-Graduação em Educação.

Foi Secretário Municipal de Educação de São Paulo (1991-1992). Comentarista da Rádio CBN e Escola da Vida.

Mario Sergio Cortella é  autor de mais de trinta livros.


Ficha técnica: A Sorte Segue a Coragem! 

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  • Título original: A Sorte Segue a Coragem! Oportunidades, competências e tempos de vida
  • Autor: Mario Sergio Cortella
  • Editora: Planeta
  • Páginas: 192
  • 1a. Edição – 2018

Fotos sem identificação: Creative Commons CCO, livremente editadas pelo blog.