Leonardo da Vinci: o homem por trás da genialidade
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Desfazendo-se da aura de super-humano muitas vezes atribuída ao artista, a genialidade de Leonardo da Vinci estava fundamentada em características bastante palpáveis, como a curiosidade, uma enorme capacidade de observação e uma imaginação tão fértil que flertava com a fantasia.

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Com base em milhares de páginas dos impressionantes cadernos que Leonardo da Vinci manteve ao longo de boa parte da vida e nas mais recentes descobertas sobre sua obra e sua trajetória, Walter Isaacson, biógrafo de Einstein e Steve Jobs, tece uma narrativa que conecta arte e ciência, revelando faces inéditas da história de Leonardo.

Desfazendo-se da aura de super-humano muitas vezes atribuída ao artista, Isaacson mostra que a genialidade de Leonardo estava fundamentada em características bastante palpáveis, como a curiosidade, uma enorme capacidade de observação e uma imaginação tão fértil que flertava com a fantasia.

Leonardo criou duas das mais famosas obras de arte de todos os tempos, A Última Ceia e Mona Lisa, mas se considerava apenas um homem da ciência e da tecnologia – curiosamente, uma de suas maiores ambições era ser reconhecido como engenheiro militar.

Com uma paixão que às vezes se tornava obsessiva, ele elaborou estudos inovadores de anatomia, fósseis, o vôo dos pássaros, o coração, máquinas voadoras, botânica, geologia, hidráulica, armamentos e fortificações. A habilidade para entrelaçar humanidades e ciência, tornada icônica com o desenho do homem vitruviano, fez dele o gênio mais criativo da história.

Filho ilegítimo, à margem da educação formal, gay, vegetariano, canhoto, distraído e, por vezes, herético, o Leonardo desenhado nesta biografia é uma pessoa real, extraordinária pela pluralidade de interesses e pelo prazer que tinha em combiná-los.

Um livro indispensável não só pelo caráter único de representar integralmente o artista Leonardo da Vinci, mas como um retrato da capacidade humana de inovar, da importância de não apenas assimilar conhecimento, mas ter a disposição para questioná-lo, ser imaginativo e, como vários desajustados e rebeldes de todas as eras, pensar diferente.

O século XV – de Leonardo, Colombo e Gutenberg – foi uma época de inovações, de explorações e da disseminação de informações por meio das novas tecnologias. Em outras palavras, foi uma época como a nossa. É por isso que temos tanto a aprender com Leonardo.” (Isaacson)


Eu também sei pintar

Leonardo da Vinci, em determinado momento, decidiu procurar novos horizontes em Florença. Para tal, escreveu uma carta se apresentando.

“Nos primeiros dez parágrafos, enalteceu seus talentos como engenheiro, incluindo as habilidades em projetar pontes, canais, canhões, veículos blindados e edifícios públicos. Foi só no décimo primeiro parágrafo, e bem no fim, que ele mencionou que também era artista.” (p. 19)

Em sua cabeça, Leonardo da Vinci se via tanto como um homem das artes quanto da ciência e da engenharia.

mona lisa
O enigmático sorriso de Mona Lisa

As explorações científicas embasavam sua arte. Ele arrancou a pele de cadáveres e delineou os músculos que movem os lábios para depois pintar o sorriso mais inesquecível do mundo.

Estudou crânios humanos, fez desenhos de ossos e dentes em várias camadas e recriou a agonia esquelética de São Jerônimo no deserto.

Explorou a matemática da óptica, desmoronou como os raios de luz atingem a córnea e produziu ilusões mágicas que alteram as perspectivas visuais em A Última Ceia. 

a ultima ceia
“A Última Ceia”, Leonardo da Vinci

“Leonardo da Vinci é o exemplo definitivo do tema central de minhas biografias anteriores: como a habilidade de conectar disciplinas – artes e ciências, humanidades e tecnologia – é a chave para a inovação, imaginação e genialidade” (Isaacson, p. 21)






O gênio dentro de Leonardo da Vinci era humano

“Ao darmos a Leonardo o rótulo de gênio, estranhamente o minimizamos, dando a entender que foi tocado por uma iluminação divina.
(…)
Na verdade o gênio dentro de Leonardo era humano; tinha sido forjado por vontade e ambição próprias. Sua genialidade não vinha do fato de ele ser o recipiente divino de uma mente com tanto poder de processamento que nós, meros mortais, não somos capazes de compreender.
Leonardo da Vinci quase não frequentara a escola e mal sabia ler em latim ou fazer uma conta de divisão.
(…)
Baseava-se em habilidades que podemos almejar desenvolver, como a curiosidade e a observação incansável.” (Walter Isaacson)


Páginas e páginas de coisas a fazer

cadernos de leonardo da vinci
Reprodução: Imagem de um dos cadernos [Da Vinci], que  combinam observação detalhada com notas de experimentos
“Meus trechos preferidos [das 7.200 páginas contendo anotações e rascunhos de Leonardo da Vinci] são as listas de coisas a fazer, que cintilam com curiosidade.
(…)
Ano após ano, repetidas vezes, Leonardo listou as coisas que queria fazer e aprender. Algumas envolviam o tipo de observação cuidadosa que a maioria de nós raramente faz.

Observe as patas do ganso: se estivessem sempre abertas ou sempre fechadas, a criatura não seria capaz de realizar qualquer tipo de movimento‘.

Outras envolvem perguntas do tipo (…) ‘Por que os peixes dentro d’água são mais ágeis que os pássaros no céu quando deveria ser o contrário, já que a água é mais pesada e densa que o ar?‘” (Walter Isaacson, p. 20-13)

“Aprendi com Leonardo que um desejo constante de se surpreender com o mundo cotidiano temo o poder de deixar cada momento de nossa vida muito mais rico.” (Walter Isaacson)


Ficha técnica do livro

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  • Título original: Leonardo da Vinci
  • Autor: Walter Isaacson
  • Páginas: 640
  • Editora: Intrínseca
  • 1a. Edição 2017

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