Game of Trones e a Filosofia – O que diriam Maquiavel, Platão e Sócrates?

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Se Joffrey seguisse os ensinamentos de Maquiavel, de que a crueldade é necessária mas o ódio deve se fazer evitado, teria tido um final diferente?

Considerando a filosofia de Sócrates, estaríamos julgando Cersei de forma leviana? Para o filósofo, uma pessoa injusta e verdadeiramente inteligente pode parecer virtuosa na busca de sua felicidade.

O relativismo cultural poderia nos ajudar a compreender melhor a relação entre Daenerys e os Dothraki?

O que diriam Hobbes, Maquiavel, Platão, Descartes e outros grandes pensadores sobre os esforços de um nobre do Norte que coloca a honra acima de tudo? Ou de um adolescente que quer recuperar o trono e as terras que lhe são de direito? E de um anão deformado e genial que usa toda sua inteligência para permanecer no Jogo dos Tronos?

Reflita sobre essas provocações e conheça as respostas em Game of Thrones e a Filosofia.

Quando se joga o jogo dos tronos, ganha-se ou morre. Não existe meio termo.” (Martim, Game of Thrones)

Repleta de personagens realistas com diversas falhas morais, guerras pelo poder e uma ameaça climática. As Crônicas de Gelo e Fogo, na sequência adaptada para a série Game of Thrones (GOT) na HBO, é uma história que merece ser analisada do ponto de vista filosófico.

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O livro Game of Thrones e a Filosofia

O livro A Guerra dos Tronos e a Filosofia traz reflexões sobre a moralidade, a honra, a ética do poder, o verdadeiro papel de um tirano e os motivos que torna um conflito armado em justo ou injusto. Alias, o próprio conceito de justo e injusto muda dependendo do ponto de vista.

Seja em Westeros, do outro lado do Mar Estreio ou para lá da Muralha, os personagens de GOT e seus atos são analisados com base em pensamentos de um respeitado grupo de filósofos, encontrando paralelos em obras clássicas e modernas da filosofia.

Levantando assuntos polêmicos – como por que não devemos julgar a rainha Cersei tão levianamente ou por que Joffrey não está longe de ser o déspota ideal – o livro pode dar algumas respostas a perguntas que já fizemos. Ou a perguntas que começaremos a fazer após ler A guerra dos tronos e a filosofia

“em A dança dos dragões, o próprio mestre nos diz que ‘um leitor vive mil vidas… O homem que nunca lê, só vive uma’ “ (p. 16, Game of Thrones e a Filosofia)

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Atenção: o conteúdo desse a seguir contém spoilers das primeiras temporadas de GOT!


O que Maquiavel ensinaria a Joffrey?

Joffrey a guerra dos tronos e a filosofia

Foto: reprodução

“Joffrey assume o trono quando é jovem e imaturo demais para entender as consequências dos próprios atos. Empolgado com o novo poder e ansioso para exercê-lo, num primeiro momento suas crueldades são compreensíveis. Ele deve agir violentamente a fim de eliminar os inimigos em Porto Real e mobilizar um exército para se opor aos rivais.

Joffrey age sem misericórdia com amigos e inimigos, cometendo erro fatal de se fazer odiado.

Maquiavel admite que a crueldade é necessária, mas pede que ela seja usada com parcimônia, para não criar inimigos.

Maquiavel recomenda que medidas impopulares sejam tomadas rapidamente: ‘As injúrias devem ser feitas todas de uma vez, a fim de que, tomando-se-lhes menos o gosto, ofendam menos. E os benefícios devem ser realizados pouco a pouco, para que sejam mais bem saboreados’.

Infelizmente, Joffrey é cruel não apenas quando necessário, mas sempre que sente vontade de controlar alguém.

Maquiavel, contudo, aconselha os que se farão temidos, dizendo que o pior que alguém pode fazer é ser odiado, pois o ódio pode levar as pessoas à ação mesmo quando estão com medo. 

Joffrey instila o medo em seus amigos e inimigos, mas, ao agir de modo cruel o tempo todo, ele se faz odiado. (p. 52-53, Game of Thrones e a Filosofia)




O conceito de virtude e sucesso de Platão aplicado à vida de Bran Stark

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“Platão alega que a verdadeira felicidade está ligada ao eu imaterial, e não ao corpo material. A alma imaterial da pessoa virtuosa funciona de modo ideal.

O filósofo identifica três partes distintas da alma: apetite, espírito e intelecto. O “apetite” consiste em nossos desejos de prazer, satisfação corporal e outras vontades materiais. O “espírito” se refere a nossas emoções e especialmente ao desejo de sermos honrados aos olhos alheios. Já o “intelecto” se refere à melhor parte do eu: a capacidade racional que deseja a sabedoria e o conhecimento acima dos desejos físicos ou da realização social.

Platão alega que a alma da pessoa virtuosa funciona de modo ideal no sentido de ser governada por suas melhores partes: a razão governa, o espírito é treinado para reforçar o julgamento sábio da razão e o apetite se submete a ambos. 

Um exemplo rudimentar desse princípios pode ser visto na vida de Bran Stark.

Embora seu jovem corpo tenha sido ferido quando Jaime Lannister o empurrou das altura de Winterfell, Bran tem sucesso. O corpo do menino jamais se recuperará das lesões. “Não podia andar, nem escalar, nem caçar, nem lutar com uma espada de maneira como antigamente.”

Mas ele vive um tipo diferente de sucesso, desenvolvendo habilidades psíquicas.” (p. 79-80, GOT e a Filosofia)


A pessoa cruel é feliz?

Filosofia de Sócrates aplicada às ações de Cersei em Game of Thrones

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Foto: Reprodução

“Em A República, Sócrates e seus parceiros (…) reconhecem que a pessoa injusta e verdadeiramente inteligente possa parecer virtuosa por meio do engodo ao explorar todas as oportunidades injustas, obtendo assim tanto os benefícios da justiça quanto os da injustiça.

Essa estratégia para buscar a felicidade é encarnada nas constantes maquinações de Cersei Lannister. Embora tente manter [inicialmente] uma reputação de virtuosa, ela busca seus objetivos usando todos os meios que achar necessários. 

Cersei está disposta a mentir, seduzir, manipular e até assassinar o próprio marido em busca por poder, prazer e felicidade.

E, por qualquer meio externo que se meça sua felicidade, ela consegue; pois chegou ao trono como rainha, garantiu um lugar de poder no reino para os filhos, vive uma vida de luxo e se relaciona do jeito que quiser com praticamente quem desejar.” (p. 80-81, A Guerra dos Tronos e a Filosofia)




Santo Agostinho e Catelyn Stark defendem a Fé dos Sete

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“O filósofo e padre Agostinho de Hipona (354-430), também conhecido como Santo Agostinho, apresentou dois argumentos importantes para explicar porque Deus não é o responsável pela existência do mal. 

Primeiro, Agostinho diz que o mal não é algo que existe por si. O mal é apenas a falta de bondade, semelhante à cegueira ser falta de visão.

O segundo argumento de Agostinho diz respeito à causa do mal, ou seja, o livre arbítrio: a capacidade de escolher nossos atos. 

Lembre-se que Jaime Lannister perguntou a Catelyn Stark: “Se deuses existem, por que o mundo está tão cheio de dor e injustiça?”

À essa pergunta, Catelyn respondeu: “Por causa de homens como você.” ” (p. 170-171, Game of Thrones e a Filosofia)

Conheça também as provocações filosóficas de Mario Sergio Cortella, o best-seller: Por que fazemos o que fazemos?


O encontro de Dany com os selvagem: relativismo cultural em A Guerra dos Tronos

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“O relativismo cultural é uma teoria descritiva e simplesmente diz que ‘culturas diferentes tem códigos morais diferentes’.

Ao observar que os códigos morais variam entre culturas, o relativismo cultural pode ajudar a explicar por que algumas ações em A guerra dos tronos parecem aceitáveis e outras não.

Por exemplo, aceitamos com mais facilidade o fato de Tyrion dormir com prostitutas do que o incesto cometido por seus irmão, pois a primeira ação é razoavelmente aceitável em nossa cultura, enquanto a outra é totalmente inaceitável.

Embora muitos exemplos de moral questionável nas histórias de Martim, alguns dos mais interessantes giram em torno dos encontros de Dany com os Dothraki, cujas transgressões afetam o público num nível bem mais instintivo: sabemos que essas ações são erradas, mesmo sem conseguir explicar exatamente o motivo.

O relativismo cultural fornece meios proveitosos para entender tanto as relações de Dany quanto as nossas. Estupro e assassinato parecem ser tabus universais. Através dos olhos de Dany e de sua postura moral, o público experimenta um modo de vida diferente e julga os Dothraki.” (p 206-207, Game of Thrones e a Filosofia)


Filosofia de Aristóteles e a espada de Ayra Stark em GOT

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Ayra Stark com sua espada, carinhosamente apelidada de “Agulha” (Foto: Reprodução)

“Aristóteles quer que pratiquemos honestidade, coragem, justiça e por aí vai até que elas sejam naturalmente parte de nós [similar ao processo de se criar um hábito, proposto em O Poder do Hábito]. No treinamento de artes marciais acontece algo bem parecido.

O caráter se desenvolve através da disciplina, da prática e da atenção. Nas artes marciais, sem esse treinamento mental, você está apenas aprendendo a lutar. Com esse treinamento mental, contudo, você está aprendendo a viver de modo autêntico.

Ayra Stark pode ser muito nova, mas ao contrario de sua irmã mais velha, Sansa, que sonha em ser princesa, não tem tempo para essas bobagens e preferiria ser uma cavaleira.

Ela já está ciente que o treinamento recebido da septã Mordane não é do tipo necessário para uma vida de bem-estar. Ela precisa de outro tipo de ‘trabalho com Agulha [nome dado à sua espada]‘. 

Segundo Aristóteles, para ter uma vida boa, a razão deve estar no comando. A parte racional da mente deve controlar a parte irracional, para que não sejamos governados por nossos desejos.” (p’ 248-250, Guerra dos Tronos e a Filosofia)




Nunca se esqueça de quem é – Game of Thrones

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“Tyrion aprendeu que não há vantagem em evitar uma verdade dura. A negação é perigosa e leva à vulnerabilidade indevida.

Como o anão aconselha o bastardo Jon Snow em seu primeiro encontro “Nunca se esqueça de quem é porque é certo que o mundo não se esquecerá. Faça disso sua força. Assim, não poderá ser nunca sua fraqueza.”  (pg 266, Game of Thrones e a Filosofia)

Leia a obra completa para obter mais reflexões, respostas e, consequentemente, mais dúvidas sobre GOT.


Ficha técnica do livro A Guerra dos Tronos e a Filosofia

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  • Título original: Game of Thrones and philosophy
  • Editado por: Henry Jacoby
  • Editora: BestSeller
  • Páginas: 294
  • 1a. Edição – 2012

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Escrito por Leia um Livro