Sprint: livro ensina o método usado no Google para testar e aplicar novas ideias em apenas cinco dias

livro sprint o método usado no google

Fonte: nerdstore

Google Design Sprint é o método criado pelo designer Jake Knapp no período em que trabalhava no Google. Sprint era usado para tudo na empresa, do aperfeiçoamento do mecanismo de buscas ao Google Hangouts, com o foco em desenvolver e testar ideias em apenas cinco dias.

Sprint serve para equipes de todos os tamanhos, de pequenas startups até os maiores conglomerados, e pode ser aplicado por qualquer um que tenha uma grande oportunidade, problema ou ideia e precise começar a trabalhar já. É uma ótima forma de aumentar a produtividade na criação de novas ideias.

Lei a seguir nossa resenha crítica com os principais pontos da obra..

Recomendamos a leitura completa da obra, repleta de exemplos práticos, guias e checklists para as realização do seu sprint! 

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O que é Design Sprint? Entenda em 90 segundos






Por que e quando realizar um Sprint?

O termo Sprint surgiu em alusão às corridas de alta velocidade em curto período de tempo. Por ter sido criada por especialistas do Google, a metodologia também é conhecida como Google Design Sprint.

A proposta do sprint é ser um processo rápido de cinco dias para resolver questões críticas por meio de protótipos e testes de ideias com clientes.

A principal vantagem desse processo de 5 dias em relação a tantas outras metodologias que existem por aí é que ele pega um atalho bastante vantajoso: ao invés de esperar para lançar um MVP (Minimum Viable Product) para descobrir se a ideia é boa ou não, processo esse que pode tomar vários meses, o Design Sprint foca especificamente na validação da ideia com usuários e encurta o processo para 40 horas de trabalho.

google design sprint

Fonte: Google Design Sprint

Quando usar?

Pode ser usado para avaliar viabilidade de um novo negócio, produzir a primeira versão de novos aplicativos, aperfeiçoar produtos com milhões de usuários, definir estratégias de marketing, criar design para relatórios e muito mais.

Ou seja:

  • antes de investir tempo e dinheiro em uma startup ou ideia;
  • antes de um time ágil recém-formado começar a trabalhar em um projeto;
  • antes de começar a desenhar a fundo uma funcionalidade complexa.

Quem deve ser envolvido no sprint?

Pelo menos um Designer, um Stakeholder, um Product Manager, uma pessoa que conhece bem os usuários do produto, e alguém com um background mais técnico (Desenvolvedor).

Ah, e é claro, precisa também de um Facilitador para comandar as sessões coletivas. Ele será responsável por conduzir as reuniões e discussões durante a semana.

Apesar de ser sido organizada como metodologia recentemente, alguns conceitos presentes no Design Sprint podem ser vistos em diversas situações.

Exemplo: o próprio lançamento do livro Harry Potter (que ainda figura na lista de livros mais vendidos) , depois de ter sido recusado oito vezes por editores, foi publicado ao ter seu manuscrito lido por uma criança de oito anos (teste com usuário).

Leia: Como uma menina de 8 anos se tornou responsável pelo publicação de Harry Potter





Como funciona o Design Sprint?

Antes de começar o Design Sprint, você precisa escolher o problema a ser resolvido. Quando estiverem todos alinhados, reúna o time em uma sala, bloqueie o calendário de todo mundo e garanta alguns materiais básicos para usar naquela semana (post-its, caneta, papel, etc.).

Durante o sprint é proibido utilizar celulares, tablets e notebooks na sala. Se precisar fazer ligações, checar mensagens e acompanhar o dia-a-dia fora do sprint, recomenda-se sair da sala e/ou utilizar os intervalos. 

Como são estruturas os cinco dias do Design Sprint

grafico

Roadmap – Fonte: Livro Sprint, editora Intrínseca


Dia 1 – Mapeie

No primeiro dia da Sprint, o time vai exteriorizar tudo o que eles sabem sobre a ideia. A expertise normalmente está espalhada em várias cabeças diferentes, e ter certeza que todo mundo está começando alinhado é fundamental para o sucesso do programa.

Dicas:

  • comece pelo fim: determine o básico de longo prazo e as questões difíceis a serem respondidas.
  • liste as perguntas do sprint: perguntas e dúvidas podem ser desconfortáveis, mas será um alívio quando você ver tudo listado em um só lugar.
  • trace um mapa: liste os atores (lado esquerdo do quadro), escreva o fim (lado direito), complete com palavras e setas que indiquem o caminho (no meio) e não complique!
  • pergunte aos especialistas: pode realizar entrevistas curtas com “especialistas” que não estejam na equipe do Sprint. Isso ajuda a conhecer mais as necessidades e a envolver usuários-chave. Este é um ponto  bastante positivo para ajudar na futura implantação da ideia e romper possíveis resistências.





Dia 2 – Faça esboços

google design sprints

Esse é o dia de desenhar as ideias. As pessoas vão trabalhar individualmente colocando as soluções para aquele problema/ideia no papel.

O objetivo é conseguir colocar o máximo possível no papel, sem muita discussão em grupo no começo.

Depois que todos tiverem desenhado seus rabiscos, o grupo se junta para discutir como poderia funcionar. No fim, existe um sistema estruturado para criticar o trabalho e votar nas melhores soluções —  feito democraticamente, sendo que o Definidor um peso mais de decisão.

Trabalhe individualmente em conjunto

“O trabalho individual nos oferece tempo para pesquisar, encontrar inspiração e pensar sobre o problema. E a pressão da responsabilidade que o trabalho individual provoca nos leva, com frequência, a produzir muito melhor.
Trabalhar sozinho, contudo, não é fácil. O indivíduo precisa não apenas resolver o problema, mas também inventar uma estratégia para resolvê-lo.(…)
Quando a equipe inteira trabalha em paralelo, nascem ideias concorrentes sem o groupthink presente no brainstorming.” Livro Sprint

Dicas:

  • faça demonstrações rápidas, de três minutos (não mais do que isso).
  • registre boas ideias no quadro, na medida que forem surgindo.
  • trabalhe individualmente em conjunto.
  • esboço em quatro etapas: anotações > ideias > experimentar variações (8 variações) > esboço da solução

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Dia 3 – Decida

google design sprint storyboard

Foto: Reprodução

No terceiro dia vocês já terão muitas ideias para escolherem. O que é ótimo, mas é também um problema — já que vocês não conseguiriam prototipar todas um único dia.

O objetivo do terceiro dia é simplesmente filtrar as ideias, refiná-las, e no fim do dia escolher uma única ideia que vocês irão prototipar.

Dicas:

  • museu de arte: pendure todas as ideias na parede (como em um museu), sem dar nome aos autores.
  • mapa de calor: distribua adesivos (bolinhas coloridas) em igual quantidade. Cada um cola os adesivos nos rascunhos que achar mais efetivo.
  • crítica relâmpago: discutir cada esboço que tem mais “calor” (adesivos) rapidamente. O Facilitador deve atuar para manter o foco e agilidade
  • pesquisa de intenção de votos: como se fosse uma eleição, todos indicam em que proposta votam (dentre as discutidas na crítica relâmpago do Sprint).
  • tome decisões honestas: esqueça a parte política e preocupações em agradar os autores.
  • supervoto: o Definidor terá três superpostos especiais (com as inicias no adesivo), e o voto dele, seja lá qual for, será o que a equipe transformará em protótipo.
  • storyboard: desenhe um roteiro imaginando o cliente encontrando e utilizando o produto/serviço (protótipo). Deve conter todas as melhores ideias combinadas em um enredo, e iniciar com a cena de abertura (busca do cliente pelo produto na web, leitura em um artigo de revista, App Store etc). Atenção: o storyboard deve ser passível de realização em 15 minutos!




Dia 4 – Protótipo

Dia de colocar a mão na massa para prototipar. É preciso ser super produtivo, então é importante escolher ferramentas de prototipagem com as quais vocês já estejam habituados a trabalhar rapidamente. Evite ferramentas complexas e foque no simples!

“90% dos protótipos podem ser feitos em Keynote (ou Powerpoint).” Livro Sprint

Também é importante planejar todas as atividades do dia logo cedo, incluindo quem faz o quê e de que hora a que hora.

O objetivo é elaborar oprotótipo daquela ideia até o fim do dia.

Divida para conquistar – a equipe deve se dividir entre:

  • Executor  (2 ou mais pessoas que criarão os componentes individuais do protótipo).
  • Costureiro (quem garante que as partes divididas se conversam como um todo).
  • Escritor (que escreverá os textos com 100% de assertividade gramatical, clareza e consistência).
  • Coletador de recursos (quem busca imagens, dados na Internet para o protótipo).
  • Entrevistador (que deve ficar isolado da construção e focar em escrever o roteiro da entrevista que será utilizada no quinto dia de Design Sprint).

Dicas:

  • você pode fazer protótipo de qualquer coisa: os autores de Sprint têm a convicção de que existe alguma maneira de transformar seu produto em protótipo e testá-lo, independente do que seja (já fizeram até de um hospital físico!).
  • protótipos são descartáveis: não faça um protótipo que não esteja disposto a descartar.
  • construa o bastante para aprender e só!
  • o protótipo deve parecer real: você não deve dar margens para os clientes usarem a imaginação, pois dessa forma corre o risco de receber inúmeros feedbacks e perder o foco.
  • nível de qualidade ideal: nem multo alta, nem muito baixa! Lembre-se: o ótimo é inimigo do bom. Foque no “bom”, no ideal que parece real! Você só terá um dia!

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Dia 5 – Teste

dia de teste

Você já terá criado soluções promissoras, escolhido as melhores e construído um protótipo realista. Agora é o dia de mostrar os protótipos para os potenciais usuários do produto, em sessões individuais.

O produto é apresentado para o usuário, ele interage com algumas telas e vai dando feedback em tempo real sobre o que gosta e o que não gosta.

No fim do dia vocês se reúnem para discussão final dos feedbacks que receberam dos usuários e decidir se a ideia sobrevive ou não. No entanto, não espere somente o final do dia para discutir, use os intervalos para eventuais alinhamentos entre a equipe.

Dicas:

  • cinco é o número mágico: segundo Jakob Nielsen, especialista em pesquisas com usuários, cinco é o número ideal de pessoas para entrevistar (nem mais nem menos).
  • entrevistas individuais, não focus group.
  • intercale: 60 min de entrevista e 30 min de intervalo.
  • entrevista em cinco atos: cumprimento amigável de boas vindas, perguntas de contextualização sobre o cliente, apresentação do protótipo, tarefas para ver como o cliente reage, debriefing para registras os pensamentos e impressões do cliente.
  • assistam juntos, mas separado: em uma sala deve estar somente o entrevistador e o cliente. Por videoconferência (estando o entrevistado ciente e de acordo) toda a equipe assiste em outra sala. O video deve mostrar o entrevistado e a atuação (manipulação) do protótipo.




Considerações finais sobre Design Sprint

the sprint book

Foto: Reprodução

Você pode realizar um Design Sprint sempre que não souber bem o que fazer, ou que estiver com dificuldades para iniciar alguma coisa.

Os melhores sprints, segundo Jake Knapp, são usados para resolver problemas importantes.

Segundo Jake, as melhores ideias tendem a vir de indivíduos, não de grupos. Grupos têm uma dinâmica onde não necessariamente as melhores ideias sobrevivem, mas as ideias que são melhores vendidas ou contadas com mais empolgação. Por isso defende a elaboração de esboços individualmente, com discussões em grupo.

Outro ponto positivo do Design Sprint é a limitação de tempo. Sim, pode parecer contraditório (menos tempo para fazer o trabalho geralmente significa mais sofrimento). Mas ao mesmo tempo essa restrição deixa os membros do time mais motivados por terem sempre a sensação de estarem movendo rapidamente.

O livro traz algumas ideias incomuns, e bem valiosas, de Design Sprints:

  • Em vez de pular direto para soluções, mapeie com calma o problema e defina um alvo inicial com a equipe. Comece devagar para ir rápido.
  • Em vez de girar ideias na multidão, trabalhe de forma independente para criar esboços detalhados de possíveis soluções. O brainstorming é problemático, e há um caminho melhor.
  • Em vez de debates abstratos e reuniões intermináveis, use a votação e eleja um Definidor para tomar decisões rápidas que reflitam as prioridades da equipe. É a sabedoria do grupo sem os perigos do groupthink.
  • Em vez de definir todos os detalhes antes de testar sua solução, crie uma fachada (conceito de criar uma protótipo como se fosse a solução real).
  • E, em vez de supor e esperar que esteja no caminho certo, teste o protótipo elaborado no Design Sprint com clientes de seu público-alvo e registre as opiniões sinceras deles. Não vale entrevistar amigos e familiares, mesmo que se enquadrem no perfil do seu público.
    Lembre-se: oito editores tiveram a suposição, sem entrevistar o usuário final, de que o manuscrito de Harry Potter não faria sucesso com as crianças.

Assista  a explicação completa do Design Sprint  por Jake Knapp


Os autores do livro Sprint

Jake Knapp, John Zeratsky e Braden Kowitz são designers e integram o time de associados do Google Ventures, o braço da companhia para investimento em novos negócios.

Knapp é o criador do Design Sprint,  método desenvolvido e aprimorado quando ele ainda era parte da equipe do Google.

Zeratsky estudou jornalismo, foi líder de design no YouTube e escreve sobre design e produtividade no The Wall Street Journal, na Fast Company e na Wired.

Kowitz fundou a equipe de design do Google Ventures e, antes, esteve à frente do design de vários produtos do Google, como o Gmail e o Google Apps for Business.

Juntos eles conduziram e completaram mais de cem sprints em empresas de telefonia, e-commerce, saúde, finanças e muito mais.

Conheça o livro: Inteligência Visual, com suas técnicas para aumentar a capacidade de percepção ensinadas para integrantes da CIA, FBI, Banco Central Americano e diversas outras empresas.


Ficha Técnica do livro Sprint

LIVRO SPRINT

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  • Título original: How to solve big problems and test new idea in just five days
  • Autores: Jake Knapp com John Zeratsky e Braden Kowitz.
  • Editora: Intrínseca
  • Páginas: 320
  • 1a. Edição – 2017

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Fotos sem identificação: Creative Commons CC0. Repositório: Pixabay. Livremente editadas pelo blog.



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