Viver em Paz para Morrer em Paz
5 (100%) 4 votes

Se você não existisse, que falta faria? Para responder à essa pergunta, Mario Sergio Cortella nos faz refletir sobre o que realmente importa nessa vida.

Se você não existisse, que falta faria?

viver em paz para morrer em paz montagem

Não é ser famoso e nem acumular coisas e propriedades, em uma obsessão consumista. Para Cortellaimportante é ser importante para alguém, ou seja, fazer falta para alguém. Esse e outros pontos que o autor nos leva a refletir no livro Viver em paz para morrer em paz.

Eu não estou preocupado com a morte, porque ela é um fato. Eu estou preocupado com a vida, isto é, enquanto a minha morte não ocorre, o que eu faço até lá para a minha vida não ser inútil, descartável.” (p. 13, Viver em Paz para Morrer em Paz, Cortella)

Na obra, Cortella aponta alguns caminhos e nos faz pensar sobre as razões da existência.

Apesar de não ter figurado na lista os livros mais vendidos em 2017, ano de seu lançamento, consideramos como uma das melhores (se não a melhor) obra do autor.

Compartilhamos a seguir alguns ensinamentos que aprendemos com o livro, com o objetivo de despertar o seu interesse pela leitura completa da obra, que traz muito mais!


Assim como um livro, sou sempre a minha mais recente edição, revista e ampliada

O que podemos aprender com o óbvio? Podemos aprender que ninguém nasce pronto e vai se desgastando. Nós nascemos crus e vamos nos fazendo. (…). Sou sempre a minha mais recente edição, revista e ampliada. (p. 19)

Cortella nos faz refletir sobre o aprendizado e crescimento que temos com o passar do tempo. Ao contrário do senso comum, na medida que envelhecemos não vamos nos desgastando, mas nos tornando melhores, como novas edições de um mesmo livro revista e ampliada continuamente.

Para escrever, é preciso pensar. Para escrever bem, é preciso pensar bem. Escrever ajuda a elaborar o raciocínio, a subliminar emoções, a organizar o mundo.” (p. 25)


O que você pensa disso?

viver em paz para morrer em paz em familia

Normalmente, quando uma criança chega da escola, a mãe, ou o pai, chama-o e pergunta, parecendo que está fazendo uma auditoria: ‘E aí, filhão, o que você aprendeu hoje?’. Mas dá para fazer muito melhor mudando a pergunta: ‘E aí, filhão, o que você pode me ensinar hoje?’. A resposta provavelmente será a mesma. A diferença está na atitude.” (p. 31-32,  Viver em Paz para Morrer em Paz)

O filósofo nos provoca sobre a diferença entre auditoriaavaliação:

  • Auditoria é a caça ao culpado, uma investigação para aplicar algum tipo de punição.
  • Avaliação é análise de processo para alcançar melhorias.

Se você quer realmente saber algo, evite investigar ou interrogar para que a pessoa não se sinta acuada. Pergunte: “O que você pensa disso?“, essa é uma pergunta que pressupõe uma troca.

Todo mundo aprende melhor quando há a possibilidade de ensinar a alguém. E todo mundo ensina melhor quando há a chance de também aprender. Em outras palavras, quando existe uma condição de respeito e de igualdade.” (p. 33, Cortella)


Saudade, nostalgia, raízes e âncoras

raizes de viver em paz para morre em paz

“Na vida nós devemos ter raízes, e não âncoras. Raiz alimenta, âncora imobiliza. Quem tem âncoras vive apenas a nostalgia, e não a saudade. Nostalgia é uma lembrança que dói, saudade é uma lembrança que alegra.” (p. 37, Viver em Paz para Morrer em Paz).

Para o autor a nostalgia é a tristeza de uma contínua mudança, enquanto a saudade é a experiência de uma mudança que conduz ao crescimento.


Almeje o que há de bom, mas esteja sempre preparado para imprevistos, pois eles acontecem em todos os lugares. (p. 43)


Paixão e Amor: Viver em Paz para Morrer em Paz e com amor

amor e paixao

Nós vivemos numa civilização, e, em sociedade, a irracionalidade é, a princípio, inaceitável. Mas a paixão, que é irracional, é aceita – e é aceita porque somos seres apaixonados.” (p. 61)

Para Cortella a paixão é uma explosão de energia que exige um desgaste imenso para sustentar sua produção de energia. Se a paixão não for transformada em amor, ela sucumbe em si mesma.

A paixão precisa ser vista como um ponto de partida, não como o resultado final. Ela precisa se transformar em algo mais propício a constância, como o amor.

As pessoas falam em amor à primeira vista. Não creio que isso exista – a mim, parece ilógico, uma conexão impossível, uma vez que o amor é uma construção, e não uma fagulha, um instante. Acredito em paixão à primeira vista, pois é a paixão que solta faíscas, é a paixão que dá o disparo, é a paixão que desassossega e faz perder a razão.” (p. 69, Viver em Paz para Morrer em Paz)

O amor seria um produto da convivência, da admiração, do pensar sobre o outro e sentir sua ausência. Dessa forma, uma vida em paz é uma vida com amor, uma vida que surge depois da energia explosiva da paixão (que se converte em amor).


A necessidade de se diferenciar da multidão

zebras iguais

Atualmente vivemos em metrópoles altamente povoadas, em que a convivência se dá em aglomerados imensos. Assim sendo, acaba sendo criado uma sensação de anonimato para seus habitantes.

Pelas simples questão numérica, por sermos um entre milhares/milhões de habitantes, nos tornamos cidadãos anônimos, quase que invisíveis, imperceptíveis.

Como podermos lidar com essa sensação? Afim, queremos nos sentir um ser humano único e especial.

Uma das características da modernidade foi trazer à tona o culto a homens [no sentido de espécie e não de sexo] que conseguiram chegar aonde ninguém jamais tinha estado. (…)
Assim, no século XX, e mais ainda no século XXI, o desafio foi, e ainda é, chegar aonde ninguém mais chegou.” (p. 97)

zebra necessidade de ser diferente
Foto: Reprodução Internet

Mas não é para menos. A própria caixa de Pandora, que guardava todos os males que poderiam afligir a humanidade, só se tornou um mito quando foi aberta. Se continuasse fechada não haveria mito algum.

Para não serem esquecidas, as pessoas criam músicas, escrevem livros, criam e alimentam perfis em redes sociais, e criam blogs como o Leia um Livro 😉 .

Na sociedade da exposição, ver e ser visto é fundamental.

Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos EUA, disse que ‘sexo é para principiantes; os experientes gostam é de poder’. A questão central do poder é ser visto para não ser esquecido.

O que levaria certos políticos brasileiros que já tiveram tudo a continuar na vida pública até a degradação?

O que leva alguém que poderia conviver mais com os netos, ter um hobby, desfrutar melhor a vida; o que leva esse alguém a se ver em situações constrangedoras? Para que continuar? porque eles precisam continuar visíveis.” (p. 119, Cortella)

O esforço para nao ser esquecido

Michael Jackson identidade
Michael Jackson (Foto: Reprodução Internet)

O desejo de não ser esquecido assumiu muitas formas no mundo moderno. Até a desfiguração é uma forma de exposição – haja vista a trajetória de Michael Jackson, que se desfigurou a ponto de comprovar o filósofo Friedrich Nietzsche, quando ele disse que ‘alguns nascem póstumos’. A desfiguração fez que Michael Jackson perdesse sua identidade até ganhar uma outra identidade pública.” (p. 120, Viver em Paz para Morrer em Paz)

Em uma época em que todo mundo praticamente tem as mesmas condições e facilidades de se expor (Facebook, Instagram), o excesso de exposição devolve o anonimato. No desespero para de destacar, acaba-se criando um jogo de vale tudo.

Hoje a diferenciação está ligada à exposição hiperbólica, ao exagero pleno, ao grotesco. Nos nosso tempos, o grotesco se tornou altamente sedutor. São as mulheres com bundas do tamanho de melancias, seios explodindo de silicone, lábios inflamados como uma boia de sinalização. São os homens com músculos estourando, com cabelos hiperproduzidos, com a vaidade desvairada.” (p. 123)


O que significaria Viver em Paz para Morrer em Paz?

Leia um livro viver em paz cortella

Uma questão que deveria ser fundamental para todos nós é: “Se eu não existisse, que falta faria?” ou “que falta eu faço?

Para Cortella essas questões estabelecem as razões de sua existência e também os senões de sua existência.

Viver em paz para morrer em paz! Viver em paz não é viver sem problemas, sem atribulações, sem tormentas. Viver em paz é viver com a clareza de estar fazendo o que precisa ser feito, ou seja, não apequenar a própria vida e nem a de outra pessoa, ou qualquer outra vida. Viver em paz é repartir amizade, lealdade, fraternidade, solidariedade, vitalidade.

Morrer em paz é poder ter-se livrado das tentações da futilidade de muitos propósitos, recusado a atração pela vacuidade de intenções e afastado a indecência de uma vida apequenada, infértil e desértica.” (p. 175, Cortella)


O autor: Mario Sergio Cortella

mario sergio cortella
Foto: Divulgação

Cortella é filósofo, escritor, com mestrado e doutorado em educação e professor-titular da PUC-SP, com docência e pesquisa na Pós-Graduação em Educação. Foi Secretário Municipal de Educação de São Paulo (1991-1992). Comentarista da Rádio CBN e Escola da Vida.

É autor de mais de trinta livros, entre eles: Por que fazemos o que fazemos?Qual é a tua obra?, Não espere pelo epitáfio, Não nascemos prontos, A sorte segue a coragem, e da série Pensar bem nos faz bem!.


Ficha técnica: Viver em Paz para Morrer em Paz 

Mario Sergio Cortella livro viver em paz para morrer em paz

  • Título original: Viver em Paz para Morrer em Paz
  • Autor: Mario Sergio Cortella
  • Editora: Planeta
  • Páginas: 176
  • 1a. Edição – 2017
    Compre aqui com desconto!

Fotos sem identificação: Creative Commons CC0. Fonte: Pixabay. Livremente editadas pelo blog.